O
termo “pão” tem um significado abrangente, referindo-se a tudo aquilo que
preserva a vida, seja no nível físico, como também na dimensão da
espiritualidade. Por isto falamos do alimento para o corpo físico, como também
para o sustento da vida espiritual, tendo como base, para os cristãos, o pão da
eucaristia.
Numa
visão cristã, o pão tem dimensão terrena, temporal, passageiro, como também na
ordem eterna. Ele está ligado à vida e é indispensável na preservação da saúde.
Identificamos Cristo como o “pão da vida”, aquele que alimenta nosso interior,
nossa vida, significando reconciliação com Deus.
A
vida com Deus começa na terra. Ela tem seu termo após a morte, na mesa celeste.
A morte não é o fim da vida, mas a confirmação do pão da vida eterna, o pão da
plenitude do amor de Deus, da salvação realizada por Cristo e do prêmio
conquistado por uma história de vida terrena com perfil de honestidade.
Diz
o ditado popular que “saco vazio não fica de pé”. O mesmo acontece com o
estômago vazio pela falta de pão. Só que isto é uma contradição em relação ao
Brasil, um país com tanta fartura, mas também com tantos desperdícios. O que
falta mesmo é uma melhor política de partilha e solidariedade.
O
equilíbrio emocional, psicológico e, principalmente, espiritual da pessoa
também necessita de suporte, de alimento para ter sustentação. É desafiante um
indivíduo ter serenidade sem o alimento da Palavra de Deus e a fraternidade na
convivência. É como o “saco vazio”, sem base e sem aquilo que lhe dá
resistência.
Pão
e água são fontes de vida. Na dimensão cristã, o pão representa a eucaristia e
a água, o batismo. São sacramentos que levam o cristão a entrar em aliança com
Deus, fazendo a experiência de uma vida sobrenatural. Estar na intimidade com
Deus é não estar acomodado e passivo diante do mal, como o pai que não concorda
com as infantilidades do filho. Parabéns a todos os pais na celebração de seu
dia.
Dom
Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo
de Uberaba.
