Valor do dinheiro
Muita gente define sua estrutura de vida pelo valor econômico, em dinheiro, do que tem. Ele é aderente indispensável na vida das pessoas, levando até a atitude de descontrole e violência. Um apego ao dinheiro, sem critério, acaba desvirtuando o sentido de ser pessoa.
Realmente o dinheiro é fascinante e tem um poder grande de domínio sobre nós. Mas a questão não está no estado de riqueza, está na forma de relacionamento que temos com o dinheiro e com os bens que o produzem. Não é a quantidade acumulada, mas o trato que temos com ela.
Na dinâmica atual podemos dizer que o Estado é rico, contribuindo para a riqueza de alguns privilegiados, deixando uma relevante massa da população na pobreza, e até na marginalidade. Sem um controle institucional sério, uns ficam ricos à custa do sofrimento dos outros.
Normalmente o excesso desmedido de uns acontece com a falta do necessário para a sobrevivência de muitas pessoas. Isto significa que o luxo da classe dominante é sempre pago por alguém desvestido da possibilidade de uma vida mais confortada. Significa má distribuição dos bens da vida.
O dinheiro tem força para alienar o ser humano e de cortar a sua comunicação com Deus. Ele é endeusado por quem é materializado e diminuído na sua dignidade como pessoa humana. Com isto, não deixa de ser um fim em si mesmo e a única fonte de realização da pessoa.
É louvável o papel do rico que consegue libertar o pobre de sua condição sofrida. Não podemos dizer que o rico seja mau, ladrão, desonesto e injusto se os seus bens têm função humana e social, principalmente se ele está preocupado com a dignidade do irmão.
Interessante que o destino do rico é o mesmo do pobre. Ambos vão parar na sepultura, levando consigo apenas a boas obras realizadas a favor dos irmãos. As mãos não podem estar vazias. É preciso construir obras de eternidade, que contam no julgamento final. Corremos o risco do acúmulo desnecessário e perder o sentido da vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
A quem servimos
Nestes domingos a Palavra de Deus nos mostra questões importantes com relação ao ensino social da Igreja e também com relação ao sentido último de nossa vida, perguntando-nos a quem queremos servir. Isso devido ao desenfreado encaminhar da vida para a posse de bens como se fosse a razão única da vida humana.
Todos nós somos envolvidos por grandes preocupações diárias. O acúmulo das horas para o acúmulo de dinheiro é uma constante em nossas vidas. Mas, será esse o destino final da vida? A correria para ganhar e acumular bens, como nos ensina a sociedade, e ao mesmo tempo vendo que a ideologia atual tem levado a grandes insatisfações e ao crescimento da violência. O fim último de nossa vida tem que ir além disso tudo.
Devemos notar que o nosso senso de justiça está sempre envolto em nossas próprias preocupações. O nosso senso de justiça é individualizado. Temos muita dificuldade em nos sentirmos em co-participação. Há toda uma atmosfera de egoísmo que nos envolve, que toma conta de nós. A divulgação por todos os meios desse tipo de sociedade leva as pessoas a encaminharem toda a sua existência para esse tipo de vivência.
As preocupações com o dinheiro e o poder tomam conta de nossas vidas e ocupam a maior parte de nosso tempo. A vida é muito mais do que o acúmulo progressivo e constante do dinheiro, da propriedade, do conhecimento ou mesmo do prazer. Esta busca incansável ocupa nossa vida e nos deixa em estado de agitação e de angústia existencial. É claro que temos necessidade de possuir, crescer no conhecimento, progredir – a diferença está em quem colocamos a razão do nosso viver.
Claro que o esforço é necessário para alcançarmos o que a sociedade nos oferece como ideais de vida, mas este esforço não nos conduz ao grau de satisfação que buscamos. A dinâmica da vida vem antes da busca pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio. Esses acabam por transformar a existência numa busca sem fim e que nunca nos satisfazem por completo.
Jesus quer que não nos acomodemos com esta busca desenfreada, mas que ganhemos a experiência da vida plena em Deus. Esta sede infinita que tenta se satisfazer pela posse não é exclusiva de uma classe social ou mesmo de um sistema econômico, mas encontra-se no SER do homem. O sistema em nossa volta tem, entretanto, o poder de nos seduzir. Os apelos pelo TER desenvolvem essa tendência pelo acumular. Aí sim entra em choque o nosso discernimento.
Queremos preencher um vazio interior do sagrado pela posse das coisas. A ganância e a ânsia pelo ter são drogas aprovadas socialmente falando. Embriagam-nos e nos entorpecem, impedindo-nos de ver a realidade do transcendente em nossa vida. Jesus nos quer atentos a isso.
Numa sociedade onde a busca monstruosa pelo dinheiro é predominante, não há espaço para Deus. Só há espaço para os clientes, para a venda, pelo mercado, pelo sucesso, pelo lucro fácil. Não percebemos a riqueza em Deus, mas somente a riqueza na conta bancária.
Devemos acreditar que hoje o mais urgente é a vida plena que Deus quer nos proporcionar. O nosso trabalho justo e honesto não pode ser uma busca apenas pelo ter, um desespero exagerado pelo acúmulo de coisas, dinheiro, prazeres. Nosso trabalho deve ser humanizado. Não pode ser apenas baseado no sucesso comercial, mas no crescer como pessoa. Somente um mecanismo de sucesso deve nos mover: alcançar a plenitude do ser humano aos olhos de Deus.
Evidentemente que a situação que hoje vivemos vem de longe. Vide, por exemplo, a situação ambiental na degradação total do meio ambiente, o desaparecimento de florestas, a poluição da atmosfera, a extinção de espécies biológicas. Chega um momento em que o homem quer “derrubar celeiros e construir outros ainda maiores”. A situação ambiental é sinal, é reflexo desta busca desenfreada e desmedida pelo ter.
Temos que abrir espaço para Deus em nossa vida. Ao final seremos julgados pelo nosso bem ao outro e não pelo dinheiro armazenado, acumulado. Pensemos nisso. O que vamos dizer a Deus quando chegarmos a Sua presença e nos apresentarmos? As mãos vazias de amor ou o dinheiro inteiro que conquistamos? Viver com os olhos voltados para o transcendente nos faz mais justos e felizes desde agora.
Não podemos ficar “em cima do muro”. Não podemos servir a dois Senhores. Pensemos muito sobre isso e façamos uma reflexão a respeito do primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas!
Dom Orani João Tempesta
Parábola do rico e do mendigo
O tema da parábola deste domingo, Lucas 16,19-31, é muito simples. Fala de um rico que goza a sua riqueza material, intelectual ou religiosa, e deixa morrer à sua porta um pobre faminto, enfermo e abandonado. No fundo, quem se vangloria de ser rico diante de Deus na realidade é pobre. Logicamente a sua vida acaba no sepulcro que é o inferno do insucesso. O pobre ao invés aberto à grandeza de Deus que cuida de todos os enfermos e marginalizados da terra; por isso, com a sua morte, se revela o seu tesouro lá em cima no seio de Abraão, que é o cumprimento de todas as promessas.
Neste cenário é relatado o diálogo que Abraão sustenta com o rico. O rico supõe que sua sorte seja devida à ignorância. Enquanto está no mundo sabe como estão as coisas. Por isso pede que sejam advertidos seus parentes na terra acerca da verdade sobre a pobreza e sobre a riqueza. A resposta do patriarca é inflexível: basta Moisés e sua palavra. Se a sua verdade não convence, também um milagre sobre a terra não serviria para nada. Dizia o psicólogo americano William James: “O uso melhor da vida é empregá-la por qualquer coisa que dure mais que a vida mesma”.
A parábola se desenrola em três quadros. O rico na terra está tranqüilo e seguro em sua casa, come e bebe em alegre companhia. Lázaro porém jaz por terra fora da porta, na estrada, exposto aos perigos e molestado pelos cães, se contentaria com as migalhas da lauta mesa, mas não lhe dão. Rico e pobre são vizinhos, mas o rico não concede ao pobre nem um olhar.
Em segundo lugar, se faz uma inversão. Lázaro e o rico gozador morreram. Estão no além. Lázaro o pobre está no ceio de Abraão, feliz no paraíso. O rico porém está no inferno, no fogo, na sede, no tormento. Entre os dois existe um abismo intransponível, mas os dois se podem ver.
A seguir, o diálogo à distância. O rico finalmente toma consciência que Lázaro existe, e que tornou-se importante. Dirige-se ao patriarca Abraão pedindo que mande Lázaro dar-lhe ao menos uma gota de água. A resposta é negativa: a situação agora é irreversível, entre condenados e salvos não existe mais comunicação.
O sentido da parábola pode ser procurado nas palavras ditas por Abraão no que diz respeito aos cinco irmãos do rico esbanjador: “Se não escutam Moisés, nem mesmo escutarão um morto que voltasse entre os vivos”. O rico compreendeu tudo muito tarde, somente no inferno.
O rico não é condenado simplesmente por sua riqueza, mas porque não soube entender a vida como um dom e não ofereceu a sua ajuda ao pobre enfermo e faminto que estava morrendo à sua porta. A riqueza em si não é um pecado, mas é pecado a riqueza que deixa os pobres morrerem; é pecado a falta de solidariedade que divide os homens e consentindo a alguns nadarem na abundância e a outros perecerem num mundo de fome e de miséria.
A parábola assegura que o rico desceu ao inferno. Isto quer dizer que a sua vida terminou em um insucesso. Fechou-se no seu interesse e na sua riqueza de modo tal que, chegando à luz de Deus que é dom de amor, encontrou-se inútil e vazio e por isso condenado. Sob esse aspecto, a condenação não indica um castigo de Deus que se impõe e dita o seu juízo arbitrário ao termo da nossa vida; a condenação consiste no destino do homem que escolheu uma forma de existência contrária ao mistério de Deus e da vida: ficar privado da graça do amor de Deus que salva, viver sem o encontro de amor com os outros.
O pobre entregou sua vida nas mãos dos anjos de Deus, que são o sinal do seu amor, da sua palavra e da sua influência sobre nossa vida. O pobre não se salva pelo simples fato que foi infeliz neste mundo, mas porque está aberto a Deus e se deixa guiar pela força de seu amor e pela sua graça.
Em todo esse relato, observamos a existência de uma escatologia individual. Não parece necessário esperar o fim do mundo para dar o prêmio ou aplicar o castigo. A própria morte incluída no contexto do reino de Deus, revela os mistérios mais profundos do homem. É uma morte que nos transporta para o seio prometido da vida ou uma morte que nos afunda no abismo do insucesso (cf Lucas 23, 43; Atos 7, 54-60).
Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Assembleia do Regional Sul 4 é suspensa por causa de acidente que mata seminarista
Um acidente de automóvel ocorrido ontem, 23, no município de Pouso Redondo, distante 228 km de Florianópolis, tirou a vida do seminarista de Filosofia Edinei Gonçalvez da Cruz, 20 anos. O acontecimento motivou a suspensão da Assembleia do Regional Sul 4 da CNBB (Santa Catarina), que começaria hoje em Lages.
Uma nota assinada pelo presidente do Regional, dom Murilo Krieger, informa e lamenta a morte do seminarista, que participaria da assembleia em nome dos colegas de curso. “Manifestamos aos familiares desse irmão nossos sentimentos; a Dom José Negri, Bispo de Blumenau, a seus diocesanos e, particularmente, aos sacerdotes e seminaristas, expressamos nossa unidade”, diz o documento.
A reunião do Conselho Regional de Pastoral, prevista para dias 18 e 19 de novembro, na cidade Caçador (SC), abordará os assuntos que seriam tratados em Lages, entre eles o tema central "A Espiritualidade do Agente de Pastoral".
A íntegra da Nota da CNBB Regional Sul 4
Nota da CNBB – Regional Sul 4
24 de setembro de 2010
Comunicação do falecimento do seminarista Edinei Gonçalvez da Cruz
“Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia:
Esta é a morada de Deus-com-os-homens.
Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo,
e o próprio Deus-com-eles será seu Deus.
Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos.
A morte não existirá mais,
e não haverá mais luto, nem grito, nem dor,
porque as coisas anteriores passaram”. (Ap 21,3-4)
A CNBB – Regional Sul 4 cumpre o doloroso dever de comunicar o falecimento do jovem Edinei Gonçalvez da Cruz, de 20 anos, seminarista da Diocese de Blumenau, que cursava o 3º ano de Filosofia em Brusque e residia no Seminário Filosófico de Santa Catarina – Sefisc. Edinei, na noite do dia 23 (quinta-feira), dirigia-se com outras pessoas a Lages, onde participaria, em nome dos seminaristas filósofos, da Assembléia da CNBB - Regional Sul 4. Um acidente automobilístico tirou sua vida, nada acontecendo a seus companheiros de viagem. Diante de tão grave fato, a Assembléia do Regional Sul 4 foi suspensa.
Ao mesmo tempo em que convidamos todos a fazerem uma prece por esse nosso irmão, comunicamos que o sepultamento de Edinei Gonçalvez da Cruz será neste dia 24 de setembro, às 16h, na Capela de Palmeiras – Município de Rio dos Cedros – SC.
Manifestamos aos familiares desse irmão nossos sentimentos; a Dom José Negri, Bispo de Blumenau, a seus diocesanos e, particularmente, aos sacerdotes e seminaristas, expressamos nossa unidade. Deus “enxugará toda lágrima dos seus olhos”!
Fraternalmente,
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Florianópolis e
Presidente da CNBB – Regional Sul 4
Santa Missa Cura Pe Alexandre Fernandes - Paroquia Santa Tereza 21Set10









































