CERIS atualiza dados da Igreja Católica no Brasil
Com o objetivo de atualizar os dados da Igreja Católica no Brasil, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), em parceria com a Promocat Marketing Integrado, convoca as dioceses, arquidioceses, institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica masculino e feminino para participar e responder ao Censo da Igreja 2010.
Em 2008 a Promocat realizou o Censo apresentando novidades no novo Anuário Católico impresso. Segundo o secretário geral da CNBB e diretor-presidente do CERIS, dom Dimas Lara Barbosa, a equipe de pesquisa necessita da “indispensável” colaboração das dioceses e organismos para realizar o Censo para o Anuário 2011/2012.
“Para que a pesquisa seja fiel aos dados enviados, como primeira ação, a diocese ou congregação deverá cadastrar um ou dois responsáveis que responderão as perguntas do Censo da Igreja Católica 2010 e manterão seus dados atualizados”, explica dom Dimas.
Já o processo de reformulação do Censo Anual da Igreja Católica no Brasil (Caic-Br) está em fase de informatização, como explica o coordenador geral do Censo, dom Hugo da Silva Cavalcante. “Estamos na etapa de informatização da pesquisa realizada pela CERIS. Por isso, incentivar a utilização da internet buscando atualizar as renovações do Censo por meio do portal www.guiacatolico.com é, também, muito importante para continuarmos avançando”, destacou.
A Promocat Marketing Integrado é a única empresa contratada e autorizada a realizar a pesquisa, o tratamento dos dados, o arquivamento, a editoração, a publicidade e comercialização do Anuário impresso. “A participação de toda a Igreja no Censo Anual é fundamental para o seu sucesso e o alcance dos seus objetivos”, diz dom Dimas, em carta enviada a todos os bispos do Brasil.
O cadastro poderá ser feito diretamente pelo e-mail cadastro@guiacatolico.com ou pelo telefone (11) 2099-6688.
Mais informações no site www.guiacatolico.com/blog
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Valor do dinheiro
Muita gente define sua estrutura de vida pelo valor econômico, em dinheiro, do que tem. Ele é aderente indispensável na vida das pessoas, levando até a atitude de descontrole e violência. Um apego ao dinheiro, sem critério, acaba desvirtuando o sentido de ser pessoa.
Realmente o dinheiro é fascinante e tem um poder grande de domínio sobre nós. Mas a questão não está no estado de riqueza, está na forma de relacionamento que temos com o dinheiro e com os bens que o produzem. Não é a quantidade acumulada, mas o trato que temos com ela.
Na dinâmica atual podemos dizer que o Estado é rico, contribuindo para a riqueza de alguns privilegiados, deixando uma relevante massa da população na pobreza, e até na marginalidade. Sem um controle institucional sério, uns ficam ricos à custa do sofrimento dos outros.
Normalmente o excesso desmedido de uns acontece com a falta do necessário para a sobrevivência de muitas pessoas. Isto significa que o luxo da classe dominante é sempre pago por alguém desvestido da possibilidade de uma vida mais confortada. Significa má distribuição dos bens da vida.
O dinheiro tem força para alienar o ser humano e de cortar a sua comunicação com Deus. Ele é endeusado por quem é materializado e diminuído na sua dignidade como pessoa humana. Com isto, não deixa de ser um fim em si mesmo e a única fonte de realização da pessoa.
É louvável o papel do rico que consegue libertar o pobre de sua condição sofrida. Não podemos dizer que o rico seja mau, ladrão, desonesto e injusto se os seus bens têm função humana e social, principalmente se ele está preocupado com a dignidade do irmão.
Interessante que o destino do rico é o mesmo do pobre. Ambos vão parar na sepultura, levando consigo apenas a boas obras realizadas a favor dos irmãos. As mãos não podem estar vazias. É preciso construir obras de eternidade, que contam no julgamento final. Corremos o risco do acúmulo desnecessário e perder o sentido da vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
A quem servimos
Nestes domingos a Palavra de Deus nos mostra questões importantes com relação ao ensino social da Igreja e também com relação ao sentido último de nossa vida, perguntando-nos a quem queremos servir. Isso devido ao desenfreado encaminhar da vida para a posse de bens como se fosse a razão única da vida humana.
Todos nós somos envolvidos por grandes preocupações diárias. O acúmulo das horas para o acúmulo de dinheiro é uma constante em nossas vidas. Mas, será esse o destino final da vida? A correria para ganhar e acumular bens, como nos ensina a sociedade, e ao mesmo tempo vendo que a ideologia atual tem levado a grandes insatisfações e ao crescimento da violência. O fim último de nossa vida tem que ir além disso tudo.
Devemos notar que o nosso senso de justiça está sempre envolto em nossas próprias preocupações. O nosso senso de justiça é individualizado. Temos muita dificuldade em nos sentirmos em co-participação. Há toda uma atmosfera de egoísmo que nos envolve, que toma conta de nós. A divulgação por todos os meios desse tipo de sociedade leva as pessoas a encaminharem toda a sua existência para esse tipo de vivência.
As preocupações com o dinheiro e o poder tomam conta de nossas vidas e ocupam a maior parte de nosso tempo. A vida é muito mais do que o acúmulo progressivo e constante do dinheiro, da propriedade, do conhecimento ou mesmo do prazer. Esta busca incansável ocupa nossa vida e nos deixa em estado de agitação e de angústia existencial. É claro que temos necessidade de possuir, crescer no conhecimento, progredir – a diferença está em quem colocamos a razão do nosso viver.
Claro que o esforço é necessário para alcançarmos o que a sociedade nos oferece como ideais de vida, mas este esforço não nos conduz ao grau de satisfação que buscamos. A dinâmica da vida vem antes da busca pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio. Esses acabam por transformar a existência numa busca sem fim e que nunca nos satisfazem por completo.
Jesus quer que não nos acomodemos com esta busca desenfreada, mas que ganhemos a experiência da vida plena em Deus. Esta sede infinita que tenta se satisfazer pela posse não é exclusiva de uma classe social ou mesmo de um sistema econômico, mas encontra-se no SER do homem. O sistema em nossa volta tem, entretanto, o poder de nos seduzir. Os apelos pelo TER desenvolvem essa tendência pelo acumular. Aí sim entra em choque o nosso discernimento.
Queremos preencher um vazio interior do sagrado pela posse das coisas. A ganância e a ânsia pelo ter são drogas aprovadas socialmente falando. Embriagam-nos e nos entorpecem, impedindo-nos de ver a realidade do transcendente em nossa vida. Jesus nos quer atentos a isso.
Numa sociedade onde a busca monstruosa pelo dinheiro é predominante, não há espaço para Deus. Só há espaço para os clientes, para a venda, pelo mercado, pelo sucesso, pelo lucro fácil. Não percebemos a riqueza em Deus, mas somente a riqueza na conta bancária.
Devemos acreditar que hoje o mais urgente é a vida plena que Deus quer nos proporcionar. O nosso trabalho justo e honesto não pode ser uma busca apenas pelo ter, um desespero exagerado pelo acúmulo de coisas, dinheiro, prazeres. Nosso trabalho deve ser humanizado. Não pode ser apenas baseado no sucesso comercial, mas no crescer como pessoa. Somente um mecanismo de sucesso deve nos mover: alcançar a plenitude do ser humano aos olhos de Deus.
Evidentemente que a situação que hoje vivemos vem de longe. Vide, por exemplo, a situação ambiental na degradação total do meio ambiente, o desaparecimento de florestas, a poluição da atmosfera, a extinção de espécies biológicas. Chega um momento em que o homem quer “derrubar celeiros e construir outros ainda maiores”. A situação ambiental é sinal, é reflexo desta busca desenfreada e desmedida pelo ter.
Temos que abrir espaço para Deus em nossa vida. Ao final seremos julgados pelo nosso bem ao outro e não pelo dinheiro armazenado, acumulado. Pensemos nisso. O que vamos dizer a Deus quando chegarmos a Sua presença e nos apresentarmos? As mãos vazias de amor ou o dinheiro inteiro que conquistamos? Viver com os olhos voltados para o transcendente nos faz mais justos e felizes desde agora.
Não podemos ficar “em cima do muro”. Não podemos servir a dois Senhores. Pensemos muito sobre isso e façamos uma reflexão a respeito do primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas!
Dom Orani João Tempesta
A dor e a esperança
Na semana passada celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e a memória de Nossa Senhora das Dores. São sinais eloquentes de situações concretas que hoje vivemos e que são iluminadas pela Palavra de Deus, que comemoramos neste mês de setembro (mês da Bíblia). Maria sempre nos acompanha em nossa reflexão, pois a Igreja nela encontra a inspiração e exemplo: “ela é saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu protótipo e modelo acabado da mesma, na fé e na caridade” (LG 53).
Maria, a mãe do Salvador, foi, sem dúvida, a pessoa que mais participou da paixão e morte do Senhor. Ela ouviu cada uma de suas palavras na Cruz. Ele, por sua vez, olha para a mãe com compaixão. Ela está em pé aos pés da Cruz e com dor profunda esteve atenta à agonia do seu Filho.
O Redentor confia sua mãe ao discípulo e dá-la como mãe. Nesse momento, a maternidade de Maria atinge cada um de nós. Aos pés da Cruz é que o homem conhece a Mãe da Humanidade, Maria! “E daquela hora o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19,27). Esse discípulo, por sua vez, assume o papel de filho, e, certamente, tem como resposta um amor de mãe.
A liturgia para a celebração de Nossa Senhora das Dores, segundo algumas tradições, é de origem alemã. Em 1423, o Arcebispo de Colônia reúne o povo para fazer reparações ao coração de Maria, pois hereges haviam violado suas imagens na Diocese, em que Maria apresenta-se ao pé da Cruz. Em 1727, o Papa Bento XIII aprova os textos dessas celebrações de Colônia e a devoção se espalha rapidamente pela Igreja.
Embora a devoção tenha sido divulgada após o século XV, a dor da Virgem, no entanto, foi sempre tida desde o início da Igreja como grande fonte de piedade mariana. Recorda-nos o texto bíblico quando Simeão diz a ela: “uma espada transpassará a sua alma” (Lc 2, 34-35). Espada penetrante que Maria sofrerá. Dolorosa espada que será símbolo do caminho da Virgem, e que mais tarde a piedade tomará como sinal plástico das dores sofridas pela mãe do Redentor.
A jornada de fé de Maria foi acompanhada pela dor: a fuga para o Egito (Mt 2, 13-14); o caso da perda do seu Filho no caminho de Jerusalém e a busca ansiosa para reencontrá-Lo (Lc 2, 43ss) são alguns exemplos, mas é evidente que na Cruz encontramos o cume desse caminho de sofrimento e dores.
Não podemos deixar de lembrar também o evento que foi retratado por grandes escultores e pintores: quando da entrega para o túmulo do corpo sem vida de seu Filho (Jo 19, 40-42).
Devido a esta participação plena e amorosa, Maria torna-se para nós mãe na ordem da graça. Maria também expressa o modelo de perfeita união com Jesus na cruz. Ficar perto da cruz é uma tarefa desafiadora para ela e para todos os cristãos, que exige se alegrar com os que se alegram (Rm 12,15) e chorar com os que choram (Jo 19,25), como nos ensina a palavra de Deus.
Como em todas as festas marianas, também na de Nossa Senhora das Dores o pedido nos é claro: a perfeita participação de Maria na paixão de Cristo, pois Ele é o centro de toda liturgia mariana e de nossa vida.
Com a sua paixão, Cristo quer libertar o homem, apontando-lhe o caminho, compartilhando com esse mesmo homem as alegrias e sofrimentos, a morte e a vida.
Esta paixão, porém, não é um fim em si mesmo, mas é para a vida: “Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ele fica só, mas se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24), e a vida é interminável: “Nós sofremos com Ele para sermos também glorificados (II Tm 2,11). Esta é a tensão escatológica da vida de cada existência cristã, tal como foi também para Maria, sendo para ela antecipada a glorificação. E esta esperança é que deve sustentar a Igreja.
A dor de Maria foi o culminar de um longo sofrimento, permeado pelo silêncio. O seu olhar foi um olhar consolador de todas as dores. E ela se torna, para nós, uma peregrina terrena do sofrimento humano.
Maria é aquela que sempre permaneceu fiel, humilde e amorosa em meio à humilhação, ela que tida como a mãe de um executado na cruz. Assim, ela se associa imensamente à redenção de seu Filho. Maria foi ouvida na dor de seu Filho quando, mesmo pregado na cruz e com extremo sofrimento, lembra-se dela, entregando-a ao discípulo amado.
A Igreja a invoca com vários títulos, mas aqui nós a veneramos na experiência do sofrimento. Com esta invocação, todos aqueles que passam pelas dores podem contemplar no cume do Gólgota a cruz com Cristo e Maria das Dores aos seus pés. Ao mesmo tempo em que estamos unidos a ela também experimentamos a sua proximidade para nos compreender nas nossas aflições. Há aqui uma enorme solidariedade do lamento humano da dor.
Nas abadias e mosteiros cistercienses, ao final do dia ilumina-se com um feixe de luz a imagem, ou ao menos o rosto, de Nossa Senhora, e canta-se sempre a Salve Rainha – é o entregar o dia e a vida vivida no silêncio da noite nas mãos da mãe, nossa doçura e esperança enquanto aqui caminhamos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Maria Santíssima, Nossa Senhora das Dores, rogai por todos nós, especialmente por aqueles que são testados pela dor e pelo sofrimento, pela doença e pela falta de dignidade para viver! Lembrai-vos de nós, ó piíssima Virgem Maria, pois nunca se ouviu dizer que pedindo à mãe o filho não atenda.
Que nestes dias de dor e de angústia, quando vemos tantos e tantos de nossos irmãos e irmãs sofrendo desilusão, remorso, uma chaga de alma, eles possam sentir, querida mãe, o mesmo consolo e coragem manifestada no alto do Calvário. Que eles possam sentir logo a alegria da ressurreição e da glorificação experimentada com os apóstolos reunidos no cenáculo.
Dom Orani João Tempesta
O tempo para conversão
Escutamos nesses domingos proclamações da Palavra que nos convidam a refletir sobre a nossa conversão concreta neste espaço de tempo que temos, que é a nossa vida.
Na primeira leitura do 26º domingo (Am 6, 1ª.4-7) o profeta Amós nos apresenta uma denúncia contra os gananciosos que se sentem seguros e confiantes diante do poder e das riquezas, sem se preocuparem com os necessitados, esquecendo-se dos pobres e vivendo em abundância, em festas e orgias, continuando o tema do 25º domingo (Am 8, 4-7).
O mesmo contraste aparece também na parábola contada por Jesus, lida no 26º domingo: o homem rico e Lázaro (Lc 16, 19-31), formando esta um todo orgânico sobre o tema da justiça social, junto com a parábola do administrador desonesto, que lemos no 25º domingo (Lc 16, 1-13).
Na parábola do administrador desonesto, porém esperto, e na parábola do Pai misericordioso, do 24º domingo (Lc 15, 1-32), assim como na relação entre o rico e Lázaro, percebemos a importância do tempo para a reflexão e conversão que o Senhor nos concede.
O filho mais novo que saiu de casa e com o tempo e os acontecimentos decidiu voltar, também o administrador que diz: “já sei o que fazer para que haja quem me receba em sua casa quando eu for despedido do emprego”: este também reflete para o tempo que ainda lhe resta.
Na parábola do homem rico e Lázaro, o tempo de conversão já passou e é isso que acontece ao homem cheio de bens, que foi em vida tão indiferente aos pobres, simbolizado pelo próprio Lázaro que ficou deitado ao lado de sua porta. Não havia mais tempo para apelar a Abraão. Ambos morreram – o pobre morreu e o rico também morreu (ninguém escapa da morte). Mas, enquanto o rico estava na morada dos mortos, no meio dos tormentos, Lázaro foi levado para junto de Abraão e os Patriarcas para compartilhar com eles o banquete do reino.
A parábola mostra-nos que o que condenou o rico foi a sua indiferença, como aparece na denúncia do profeta Amós. Entre eles há um abismo intransponível, razão pelo qual Abraão não pode enviar Lázaro para os injustos mudarem de vida enquanto têm tempo.
São João Crisóstomo, comentando este evangelho, nos diz que o rico não pode ser desculpado pela ignorância, pois não pode dizer que não viu o pobre, já que este esteve à beira de sua porta. O homem rico é acusado de orgulho. Sentiu-se melhor sendo rico, do que sendo sensível e aberto ao outro, assim nos explica Santo Agostinho. O seu arrependimento foi tardio e o seu pedido insólito, já que seus parentes também estavam fechados em sua própria riqueza, mantinham o mesmo estilo de vida.
“Eles têm Moisés e os profetas, que os ouçam”. A lei de Moisés mandava amparar os pobres, e os profetas pediam a partilha com os indigentes. Recordamos novamente a leitura de Amós. Aqui é impossível não ter presente o mês da Bíblia: a Palavra de Deus já nos esclarece e ilumina nosso caminhar!
Interessante a resposta de Abraão: se não ouvem a Moisés, mesmo que ressuscite alguém dentre os mortos, eles não irão se convencer. E aqui recordamos com muita clareza que nem todos acreditaram, e até hoje não acreditam, mesmo tendo ocorrido a Ressurreição de Jesus.
Na história da aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos de Emaús, São Lucas volta ao tema do reconhecimento: quando Jesus é reencontrado por eles na mesa do pão e na sua distribuição, ou seja, no partilhar o pão.
Lázaro é Jesus, coberto de chagas, deitado agora sobre a cruz (Santo Agostinho), e os seus próprios discípulos não o reconhecem, não o encontram, porque não são verdadeiros discípulos, não lhes queima o coração quando Ele mesmo nos fala através de Sua Igreja. Não o reconhecemos, pois não partilhamos, não nos compadecemos com o outro. Entre nós está e não o reconhecemos!
Todo o trabalho social que fazemos se baseia em reconhecer Jesus no outro, pois quando ocorre O encontramos no pobre e excluído. Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos é a mim que fazeis, nos recorda Jesus. O tempo que utilizamos para essa missão é de encontro com o Senhor.
Ainda hoje, num mundo marcado por ganâncias, violências, falta de respeito à vida, disputas de poder, por intrigas, por fofocas, por busca desenfreada de prestígio e de posições, nós devemos viver um tempo forte de penitência, de conversão e de mudança de vida. Ainda hoje tantos são os homens e mulheres de boa vontade que teimam em não reconhecer Jesus!
Nestes dias, ocorre em paróquias e grupos específicos de nossa arquidiocese a “Campanha Daniel” de Jejum e Orações (Dn 10, 2-3) durante 21 dias, movimentando milhares de pessoas buscando vida de conversão e fidelidade! São muitas iniciativas que a cada dia acontecem, demonstrando a ação do Espírito Santo na vida da Igreja.
Voltemos, porém, ao tema do tempo de reflexão que nos é apresentado. Peçamos ao Senhor que reconheçamos esse tempo da graça de Deus na oração e na caridade, para assim podermos aceitar e reconhecer o Senhor em nossas vidas e colocar o dinheiro no seu devido lugar: a serviço da caridade, do amor e da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Aproveitemos nosso tempo para fazer o bem, partilhando o que temos e encontrando-nos com o Senhor!
Dom Orani João Tempesta
Parábola do rico e do mendigo
O tema da parábola deste domingo, Lucas 16,19-31, é muito simples. Fala de um rico que goza a sua riqueza material, intelectual ou religiosa, e deixa morrer à sua porta um pobre faminto, enfermo e abandonado. No fundo, quem se vangloria de ser rico diante de Deus na realidade é pobre. Logicamente a sua vida acaba no sepulcro que é o inferno do insucesso. O pobre ao invés aberto à grandeza de Deus que cuida de todos os enfermos e marginalizados da terra; por isso, com a sua morte, se revela o seu tesouro lá em cima no seio de Abraão, que é o cumprimento de todas as promessas.
Neste cenário é relatado o diálogo que Abraão sustenta com o rico. O rico supõe que sua sorte seja devida à ignorância. Enquanto está no mundo sabe como estão as coisas. Por isso pede que sejam advertidos seus parentes na terra acerca da verdade sobre a pobreza e sobre a riqueza. A resposta do patriarca é inflexível: basta Moisés e sua palavra. Se a sua verdade não convence, também um milagre sobre a terra não serviria para nada. Dizia o psicólogo americano William James: “O uso melhor da vida é empregá-la por qualquer coisa que dure mais que a vida mesma”.
A parábola se desenrola em três quadros. O rico na terra está tranqüilo e seguro em sua casa, come e bebe em alegre companhia. Lázaro porém jaz por terra fora da porta, na estrada, exposto aos perigos e molestado pelos cães, se contentaria com as migalhas da lauta mesa, mas não lhe dão. Rico e pobre são vizinhos, mas o rico não concede ao pobre nem um olhar.
Em segundo lugar, se faz uma inversão. Lázaro e o rico gozador morreram. Estão no além. Lázaro o pobre está no ceio de Abraão, feliz no paraíso. O rico porém está no inferno, no fogo, na sede, no tormento. Entre os dois existe um abismo intransponível, mas os dois se podem ver.
A seguir, o diálogo à distância. O rico finalmente toma consciência que Lázaro existe, e que tornou-se importante. Dirige-se ao patriarca Abraão pedindo que mande Lázaro dar-lhe ao menos uma gota de água. A resposta é negativa: a situação agora é irreversível, entre condenados e salvos não existe mais comunicação.
O sentido da parábola pode ser procurado nas palavras ditas por Abraão no que diz respeito aos cinco irmãos do rico esbanjador: “Se não escutam Moisés, nem mesmo escutarão um morto que voltasse entre os vivos”. O rico compreendeu tudo muito tarde, somente no inferno.
O rico não é condenado simplesmente por sua riqueza, mas porque não soube entender a vida como um dom e não ofereceu a sua ajuda ao pobre enfermo e faminto que estava morrendo à sua porta. A riqueza em si não é um pecado, mas é pecado a riqueza que deixa os pobres morrerem; é pecado a falta de solidariedade que divide os homens e consentindo a alguns nadarem na abundância e a outros perecerem num mundo de fome e de miséria.
A parábola assegura que o rico desceu ao inferno. Isto quer dizer que a sua vida terminou em um insucesso. Fechou-se no seu interesse e na sua riqueza de modo tal que, chegando à luz de Deus que é dom de amor, encontrou-se inútil e vazio e por isso condenado. Sob esse aspecto, a condenação não indica um castigo de Deus que se impõe e dita o seu juízo arbitrário ao termo da nossa vida; a condenação consiste no destino do homem que escolheu uma forma de existência contrária ao mistério de Deus e da vida: ficar privado da graça do amor de Deus que salva, viver sem o encontro de amor com os outros.
O pobre entregou sua vida nas mãos dos anjos de Deus, que são o sinal do seu amor, da sua palavra e da sua influência sobre nossa vida. O pobre não se salva pelo simples fato que foi infeliz neste mundo, mas porque está aberto a Deus e se deixa guiar pela força de seu amor e pela sua graça.
Em todo esse relato, observamos a existência de uma escatologia individual. Não parece necessário esperar o fim do mundo para dar o prêmio ou aplicar o castigo. A própria morte incluída no contexto do reino de Deus, revela os mistérios mais profundos do homem. É uma morte que nos transporta para o seio prometido da vida ou uma morte que nos afunda no abismo do insucesso (cf Lucas 23, 43; Atos 7, 54-60).
Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Itinerário de fé
“Na tríplice missão da Igreja, a Liturgia. Celebrar a vida e a missão em comunidade”. Foi essa a temática refletida com proveito na Assembleia Pastoral do Regional NE 2/CNBB, por Bispos e representantes das 21 Dioceses, correspondendo respectivamente aos estados da PB, RN, PE e AL. Por onde caminha nossa Igreja? Onde estamos e para onde vamos? A presente mensagem pode ajudar à compreensão dos leitores.
Priorizamos a formação dos fiéis cristãos, leigos e leigas, colocando no centro a Palavra de Deus, pois que a iluminação bíblico-catequética é a alma da vida e da missão evangelizadora da Igreja! Damos continuidade à caminhada missionária desenvolvida pelas Dioceses do Regional NE 2, tomando o exemplo das Santas Missões Populares.
Voltamo-nos às pessoas e às famílias que não foram suficientemente evangelizadas, orientando-as para a comunidade cristã. Comprometemo-nos a percorrer, juntos, o caminho de permanente conversão e compromisso com Jesus Cristo em sua Igreja, a serviço da vida na construção do seu Reino. Seguimos as orientações do Concílio Vaticano II que resgatou o Catecumenato como Caminho da Iniciação à Fé.
O objetivo desse Caminho atende não somente aos candidatos que procuram o Batismo como também aqueles já batizados que, entretanto, não tiveram a oportunidade de fazer a experiência de discipulado e inserção na comunidade cristã. O Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA) propõe um itinerário de fé do catecúmeno que se apresenta para se tornar discípulo de Jesus Cristo. Por isso é indispensável formular um “itinerário catecumenal” para as nossas Igrejas particulares, em conformidade com as orientações da CNBB em seu precioso estudo “Iniciação à Vida Cristã - um processo de inspiração catecumenal” (Estudos da CNBB, 97).
Esse itinerário, em sua organização e metodologia, será oportunamente formulado pelo Conselho Episcopal Pastoral do Regional NE 2 com os Coordenadores Pastorais Diocesanos. Pareceu-nos bem, ao Espírito Santo e a nós (cf. At 15,28), assumir o Catecumenato em nossas Igrejas Particulares, ouvindo o clamor do Senhor: “Converte-te e volta à tua prática inicial” (Ap 2,5).
Seguindo esse Caminho, estaremos cumprindo melhor a nossa missão de evangelizar, contribuindo, significativamente, para a formação de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo para que Nele todos tenham vida.
De fato, a Palavra de Deus é o centro da vida e da missão da Igreja. Se quisermos resgatar as pessoas e famílias inteiras que se afastaram da Igreja, não há outro itinerário senão da formação de novas lideranças, orientadas a viver vinculadas profundamente pela fé, amor e convivência com Cristo, Caminho, Verdade e Vida plena para todos.


